quinta-feira, 22 de maio de 2008

A caneta


Era uma vez uma bela caneta.
Esguia, com um lindo aparo em ouro que contrastava com a sua deslumbrante negrura. A tinta corria com tal harmonia que fazia de cada traço um especial arabesco.
Depois de testada e certificada a sua qualidade, foi enfeite de montra com destaque especial no pedestal central. De tal forma era a sua elegância que todas as outras em seu redor perdiam qualquer fulgor que porventura pudessem ter.
Quando alguém mirava a vitrina era impossível não pousar os olhos na encantadora caneta. Ela utilizava o seu charme e encanto para ser a escolhida, mas para seu crescente desespero acabava sempre por ficar, e ver as outras partir. Tinha tantas qualidades e era tão cara que ninguém lhe pegava.
E o tempo foi passando e a caneta foi ficando. Perdeu o protagonismo e o brilho. Foi ultrapassada por outras canetas, mais novas e mais garbosas. Foi-se tornando triste e perdeu o brilho. Por fim entrou em saldo.
Tudo parecia perdido! Tudo parecia desanimador!
Um dia, finalmente, alguém se interessou por ela e levou-a consigo.
Teve receio, não sabia o que lhe ia acontecer pois já não sabia escrever.
Mas depressa aprendeu belas palavras pois foi comprada por um poeta que começou logo, com ela, a escrever um belo poema. E de novo a caneta começou a ganhar ânimo e fulgor. Aprendeu a adaptar-se à mão do poeta com tal destreza e vigor que passou a ser a sua preferida, a exclusiva.
Muitas cargas acolheu e muitas palavras escreveu.
Deixou a sua presunção de lado e passou a ter orgulho no que escrevia.
E daí em diante perdeu a vaidade pois já não necessitava de demonstrar que era a melhor!!

3 comentários:

Filipa disse...

Será que precisas de uma bela caneta para começares a escrever o teu primeiro livro? Ou será que a poeta que a comprou foste tu para escreveres os teus belos poemas e as tuas belas histórias?
"Deixa a vaidade de lado e começa a ter orgulho no que escreves"...é o primeiro passo que tens que fazer. Estás à espera do quê???...

Chuac! Chuac! Chuac!

Anónimo disse...

De que serve uma boa caneta nas mãos de quem não sabe escrever?
Quem escreve bem, escreve com qualquer coisa, até com uma pena, na certeza porêm que uma caneta de luxo «casa» com escrita de luxo.
O texto fez-me lembrar um anuncio que dizia ...
Bic laranja da escrita fina, Bic cristal da escrita normal, Bic Bic Bic... ...
o «Observador atento»

Anónimo disse...

Há muitos anos atrás - é assim que começam todas as Histórias - ainda essa montra não existia e essa caneta não brilhava como enfeite de vitrine, já eu te via a escrever as primeiras folhas, do que dizias ser o teu 1º Livro e... Mesmo sem uma caneta fina e bonita, com seu charme e encanto...Eu gostava mto... mesmo!
Há que Continuar!...
Vou adorar ler!...
NÃO HESITES... ESCREVE!!!... ... E como todas as Histórias... Vai ter um final feliz!